Entardecia.
Garoava levemente. Fui andar. Subi o morro até a avenida Paulista. As pessoas
se apressavam, ou na expectativa de se abrigarem de uma chuva mais forte ou
porque gostavam de sentir as gotas de água batendo mais forte no rosto. Uma multidão
que ia e que vinha. Num outro lugar para um grupo de pessoas eu falava. E dizia
que cada um de nós tem o seu próprio caminho para chegar a Deus. Não há
caminhos iguais. Tudo o de que precisa é decidir que quer encontrar Deus e dar o
primeiro passo. Com o pé direito. Aí começa a jornada. Vão haver obstáculos,
desfiladeiros íngremes, abismos e planícies. E assim falava quando alguém, sem
se levantar, começou a dizer: 'Tudo isso é besteira. Nem existe Deus. O que você
quer realmente? Com certeza alguma coisa de nós você quer tirar.'
Olhei-o
fixamente. Através dele pude ver porque falava assim. E disse-lhe: 'Se eu
dissesse a você porque você fala desse modo com certeza você iria amaldiçoar
Deus mais uma vez e iria querer me matar.'
'Conversa
fiada. Conversa de enganação. Estou cheio de ver esse papo que fica no etéreo e
não chega a nada. Não acredito em nada disso.'
'Então
eu vou dizer a você o porquê dessa sua revolta. Quando você estiver para me
matar eu direi uma palavra e você irá parar.'
E
comecei a falar da causa da revolta. O desespero, a perda, as dores. Todos se
comoveram. Mas para ele era demais. Começou a gritar; se levantou e veio para
mim com raiva e com ódio. Quando estava a ponto de me agarrar todos, de súbito,
gritamos o nome dele. Parou e começou a chorar.
Agradeci
a ele podermos ter vivido dessa forma uma experiência tão difícil e com a
esperança de que ele, tendo permitido compartilhar com a gente sua vida,
pudesse aliviar o fardo e acabar a sua revolta para com Deus.
As pessoas diminuiam. Os carros se apressavam.
a experiência humana